... e As almas não se alimentam.
Dieta contínua... Espaços vagos
Um corpo revestido de gordura
Massa avermelhada... Veias
Músculos insanos... Refletem dor
Cérebro que se alimenta de choque
Voa nas quimeras da ambição
Pousa no corpo duma mulher
Repousa no seio da morte...
Cospe suas humilhações...
Sujando a face do próximo...
Passos curtos... Liquidando vida alheia
Trampolim... Abastecimento da dispensa
Boca cheia de dentes... Ventre sugado...
É o sabor do clitóris inflado... Ícone viril...
Tornando-o lenda... Senda para a fama
O corpo se vai... e As almas não se alimentam...
PseudoPoetaMarcello
VERSOS BÁRBAROS.
Marcello ShytaraLira
Sampa 21/03/2005
Um manto negro encobrindo toda a extensão aérea
Peregrino sozinho nesta, avantesma, rua...
Durante esse período fico de mente aérea
Por horas será minha rainha, ela, a grande Lua...
Que se nutre de sombras para manter-se crua...
Sombras __de meus “eus” __ frias, inumanas e funéreas...
Esvaecendo minha magnânima parte etérea
Ó rainha das trevas, para mim se mostra nua...
Cujo objetivo é fazer-me teu eterno zumbi
Fascinado, assombrado, por ti me corrompi...
Renunciei de ser a maravilha do criador
Noctívago anseio por teus deliciosos amplexos
Sem existência, enamorado e por mim sem nexo...
Obsecro aos ventos: “Lua Mulher me ame com ardor!”.
O sol nasce para mim
Dizendo que no fim
Eu serei você enfim
Daí nascerei em você
Viverei o porquê
De mim... assim
Então o coração
Ficará pra lá
Na metamorfose de Kafka
E cá fica....
No bojo do barata
Aí eu digo:
Oh! linda mulher nua fique comigo
Nesta manhã de sol...
Me ame como amo você
Invocativo é o pronome
de seu Nome em minha pele...
Doces esperanças
Da lembrança de uma criança
Que chora venera
Regenera linda emoção
Revérbero de meu âmago
Marcello ShytaraLira
9:34 em Sampa 05/03/2005
Quando foi que eu nasci?
Ontem eu nasci e nada conhecia
Com o tempo fui condicionado
Entre tantos... Ser antropopático
Temer as forças invisíveis e pela minha cor
Sobre outra inferior ser primado
Fui crescendo, descobrindo da vida seu valor...
Idolatrei a matéria
Li um certo “best seller"...
Chamou-me pagão
___Esse livro se esqueceu que o invisível em mente é ícone também
E me proibiu a existência
Descobri isso quanto ingeri Kierkegaard
Depois dele outros vieram:
Husserl, Nietzsche, Heidegger
Kafka e a imortal dúvida: Ser-ia Barata
Em Simone de Beauvoir percebi que há...
Além do sexo...
Ingeri mais, muito mais:
Merleau-Ponty, Camus, Jaspers
Deste então me incitei
E a esse deus ordenei:
Diga-me até onde se estende tua epistemologia
Segui meu caminho como sempre ignorado
E sem a verdadeira ontologia
Perguntei-me: “ será tudo isso um ataque psicodélico”
Nada... Nem as nuvens souberam me responder:
Coitadas, pior que o homem são elas...
Dependem do vento para conhecerem outras esferas
Ainda tenho sorte, tenho __ “a merda do” __ livre arbítrio
Huuuuuummm... É piada isso
Claro que é, porra
Já me viram por acaso em Manhattan
Ou Manhattan já me deu oportunidade de fodê-la
___No signo da trepada...
E poderia ser de outra forma
...Outro sentido só a ela...
A Própria inópia existência
À essa gente cabe o direito
Até mesmo para aqueles simplórios
Que se afogam na mesmice
É tudo uma cadeia...
Somos nossos cárceres
Hipnotizados, pois, pelo hilomorfismo...
Bem que lutei contra esse imobilismo
Mas como suprimi-lo
Se não consegui adstringi-lo?
São tantas coisas... Agora essa fenomenologia
Sim, é isso mesmo, minha mente toda orgia
O que me restou disso tudo...
Foi agora estar escutando “love by grace”
Enaltecer minh'alma
Ver meu corpo deformado pela ausência de mim mesmo
E suplicar a Jean Paul...
__"Eu preciso encontrar a verdade que é verdadeira
para mim, a idéia pela qual eu vivo ou morro”
Marcello ShytaraLira
Sampa 23/03/2001
Quando descobrimos que para nada viemos...
a saudade é apenas um ácido... viajante.
Sou de uma época inexistente
Que só existe em meu sonho
Quimera insana que se alimenta de solidão
Faz-me homem sem desejos, sem ambição
Meus sentimentos são produto
Daquilo que minhas lentes fotografam...
Vejo um mundo disforme...
Obra do esforço da minha covardia...(tua covardia)
__És homem não és?
Marcello
Ontem eu vi como são os homens
São:
Crianças...
Amigos...
Nervosos...
Brigões, quando precisam fazer predominar seu pênis... (figurado)
Beberrões...
Bebezões...
(Não admitem, Mas são) "Cornos..."
Cavalos...
(Em algumas vezes)... Intelectuais....
Filósofos...
Filósofos da podridão... ( quando querem fazer predominar seu "pênis") (figurado)
Machões ( quando carregam uma insígnia ou uma 380 mm Legal/Ilegal ou legal, apenas para ele, ou quando coçam o pênis)
Chorões...
Legais
Amantes (da vida)
"Gente boa"
De boa
Idiotas (quando alguém está olhando e querem impor seu pênis (figurado))
e então morrem como cachorros no farol...
Ontem eu vi como são os homens...
Tive certeza que meu único amigo é o red label...
fui... (bêbado, é claro!)
Marcello
26/02/05

Assim começa sua dominação
Querer ser “deus” o homem buscou
Ultrapassando seus próprios limites
Entregou-se “pro” estigma da maldade
Destruiu sua bondade, cultivou a zanga
Até acasalar-se com Mefistófeles
Deste então hum vazio o invadiu, sentiu
O Anjo interior derrotado o deixou
Homologando o cânone da cruz
Ordenou aos quatro cantos do mundo
Morticínios. E também de su’alma...
E deu-se inicio da queda do homem...
Metamorfoseou-se em hum “deus” mal

O homem com lama se fez. Nasceu
Copulou com o vírus do poder
O que proliferou em suas entranhas
Recôndita tu’alma recrudesceu
Vã tentativa de vencer sua sanha
O mal o racional em... passou a ser...

FUNÉREA ERA IMORTAL
Tece trevas em espaços perdidos
Nos céus estrelas fantasmas...
A iluminarem falsas esperanças
No meu angustiado coração
O tempo inexorável, me fez evoluir
Tornei-me um necrófilo...
Culpa dos fantasmas celestes
Pois, refletem alegres
Os rostos de meus amores...
Fossilizados, todos tantos
Ressequidos...
Desprovidos de hemoglobinas...
Ah! minhas omoplatas saem para fora
Metamorfoseando-se em penas
Abrem-se asas, levando-me
Ao ápice de minha agonia
Estou próximo das estrelas fantasmas...
Dos lábios de caninos expostos
De minhas lindas mulheres...
Meu pescoço sente falta...
Hematófagas de minh'alma...
Ah! quantos prazeres eu sentia
Ao ter delas seus corpos nus
Meus receptáculos...
Hoje neste Cosmos solitário:
Vivo esta macabra imortalidade...
Padeço na dor da saudade...
Sofro por ter sido o "van helsing"
Das mulheres qu’Eu tanto amei...
Marcello ShytaraLira
Sampa 08/06/2004
PARTES DE MIM
Sou do todo parte
Mas (o todo) de mim não parti
Como sobreviver a isso
Se a parte que parti
O grande músculo parti
Sem amor... Achas-me
Se daquela parte furtei-me
Portas do céu de todas as partes
Precipícios da vaidade
Todas abertas... Lealdade
Indícios para o inferno
Lá todas as ancas partes
Nuas à minha vontade
Arrá... Com o inferno
Quero ver minha parte rimar
Mas que vai inflar... isso vai
___condenar-me-vais...
Buscai-me então na parte que
Não me fiz claustro
Foi o que se ia (delicias da úmida parte)
No que não se podia
Amanhã parti no ontem
__E hoje outra parte parti
São Paulo 17/09/97
NO MEIO DO CAMINHO HAVIA UM PSEUDO-POETA.
Eu quero ser perfeito...
ser... perfeito eu quero
Eu quero... perfeito ser
...eu quero ser perfeito
No meio do caminho havia um ser imperfeito
No meio do caminho havia um Marcello ShytaraLira...
Que mal tocava lira e pensava ser a lyra...
Mas, que ama Florbela e Francisca...
Ama Rê... Maísa...
Claúdia (RAHNA)
Ah! A sacana da poesia...
Um dia versejou:
No meio do caminho havia um Marcello ShytaraLira...
Marcello
"CRUCIARE"
Caminho por essa terra plúmpea
A água torrencial alveja-me impiedosamente...
E tudo que vejo se dissipa...
Na próxima esquina... corro, pensando: Dará tempo!
Nada ali... nem lá...
Sei, não era para mim...
Continuo... viro a esquina...
Outra perpendicular...
Tantas mulheres e um só rosto...
Estou cego de frente...
Meu coração insiste em manter seu gosto...
Minha face... meu pranto eviterno...
Ah! como é que me deixei dominar assim...
Te procuro... não acho...
Penso: Nasci para caminhar... nada mais...
"Cruciare"
Quando um homem não é amado por uma mulher.
Quando um homem não é amado por uma mulher
Sente-se arrasado, castigado, por ela usado
Subtrai seu raio de visão, mundo de um só habitante
Da rejeição caminha na dor enclausurado...
Na mente fantasia chance, pensamentos conflitantes
Quando um homem não é amado por uma mulher
Quando um homem não é amado por uma mulher
Sente-se menos homem que outro homem
Vê todos os homens por ela amados
Delírios de uma mente sacrificada pela fome
Da carência carente do choro derramado
Quando um homem não é amado por uma mulher
Quando um homem não é amado por uma mulher
Se auto flagela, se inferioriza, se desespera
Faz promessas aos céus, os deuses xinga
Não se permite à própria imagem que impera
Ela reflexo de seus olhos, sangue que pinga
Quando um homem não é amado por uma mulher
Quando um homem não é amado por uma mulher
Torna-se um suicida, um alcoólatra, um nada...
Vida em terror passa a viver. Seqüela da perda
Já não busca a si mesmo, vontade subjugada
Furtada a esperança de um bom mundo, herda...
Quando um homem não é amado por uma mulher.
Marcello shytaraLira
...Ainda na estrada... busca...