Poeta Marcello ShytaraLira - UOL Blog
 

ABORTO.
Marcello ShytaraLira
Sampa 13/04/2005

Sou um espírito que vaga sozinho
Dono de uma mente deturpada
Ocupante d’um corpo todo deformado
Aterrorizado pelos fantasmas da lembrança

Nem sempre fui assim sem esperança
Caminhei por essa Terra desarmado
Com estilo de vida amante amatutada
E Ébrio bebia no gral rubro vinho

Ao conhecer “personas” e suas máscaras
Várias... talhadas em mármore carrara
Anegrejaram minh’alma diáfana
Tornei-me inquilino da noite um só cana


Muito além de Charles Darwin
Para manter-me aqui adaptado
Tive que rugir bem mais alto
Antes que minha carne consumissem

A vitória não foi minha
A luta se travou e eu tinha
Que palitar os dentes como hiena
Para comer na delicadessem Viena

Fome não se vence. Mata
Não nasci para santo
Portanto, logo escolhi o canto
E com as duas mãos cravei a faca

O sangue jorrou: fim da inocência
De uma sabedoria que era para ser
Canonizada pela imaculada benevolência
Mas fizeram da selva um mal-querer

E hoje sem rosto
Olho para todos
E tudo que vejo:
Meu aborto...

... e As almas não se alimentam.

Dieta contínua... Espaços vagos
Um corpo revestido de gordura
Massa avermelhada... Veias
Músculos insanos... Refletem dor
Cérebro que se alimenta de choque
Voa nas quimeras da ambição
Pousa no corpo duma mulher
Repousa no seio da morte...
Cospe suas humilhações...
Sujando a face do próximo...
Passos curtos... Liquidando vida alheia
Trampolim... Abastecimento da dispensa
Boca cheia de dentes... Ventre sugado...
É o sabor do clitóris inflado... Ícone viril...
Tornando-o lenda... Senda para a fama
O corpo se vai... e As almas não se alimentam...


PseudoPoetaMarcello

VERSOS BÁRBAROS.

Marcello ShytaraLira

Sampa 21/03/2005

 

Um manto negro encobrindo toda a extensão aérea

Peregrino sozinho nesta, avantesma, rua...

Durante esse período fico de mente aérea

Por horas será minha rainha, ela, a grande Lua...

 

 

Que se nutre de sombras para manter-se crua...

Sombras __de meus “eus” __ frias, inumanas e funéreas...

Esvaecendo minha magnânima parte etérea

Ó rainha das trevas, para mim se mostra nua...

 

Cujo objetivo é fazer-me teu eterno zumbi

Fascinado, assombrado, por ti me corrompi...

Renunciei de ser a maravilha do criador

 

Noctívago anseio por teus deliciosos amplexos

Sem existência, enamorado e por mim sem nexo...

Obsecro aos ventos: “Lua Mulher me ame com ardor!”.

 

 O sol nasce para mim
Dizendo que no fim
Eu serei você enfim

Daí nascerei em você
Viverei o porquê
De mim... assim


Então o coração
Ficará pra lá
Na metamorfose de Kafka
E cá fica....
No bojo do barata

Aí eu digo:
Oh! linda mulher nua fique comigo
Nesta manhã de sol...
Me ame como amo você

Invocativo é o pronome
de seu Nome em minha pele...

Doces esperanças
Da lembrança de uma criança
Que chora venera
Regenera linda emoção

Revérbero de meu âmago


Marcello ShytaraLira
9:34 em Sampa 05/03/2005

 Quando foi que eu nasci?

Ontem eu nasci e nada conhecia
Com o tempo fui condicionado
Entre tantos... Ser antropopático
Temer as forças invisíveis e pela minha cor
Sobre outra inferior ser primado
Fui crescendo, descobrindo da vida seu valor...
Idolatrei a matéria
Li um certo “best seller"...
Chamou-me pagão
___Esse livro se esqueceu que o invisível em mente é ícone também
E me proibiu a existência
Descobri isso quanto ingeri Kierkegaard
Depois dele outros vieram:
Husserl, Nietzsche, Heidegger
Kafka e a imortal dúvida: Ser-ia Barata
Em Simone de Beauvoir percebi que há...
Além do sexo...
Ingeri mais, muito mais:
Merleau-Ponty, Camus, Jaspers
Deste então me incitei
E a esse deus ordenei:
Diga-me até onde se estende tua epistemologia
Segui meu caminho como sempre ignorado
E sem a verdadeira ontologia
Perguntei-me: “ será tudo isso um ataque psicodélico”
Nada... Nem as nuvens souberam me responder:
Coitadas, pior que o homem são elas...
Dependem do vento para conhecerem outras esferas
Ainda tenho sorte, tenho __ “a merda do” __ livre arbítrio
Huuuuuummm... É piada isso
Claro que é, porra
Já me viram por acaso em Manhattan
Ou Manhattan já me deu oportunidade de fodê-la
___No signo da trepada...
E poderia ser de outra forma
...Outro sentido só a ela...
A Própria inópia existência
À essa gente cabe o direito
Até mesmo para aqueles simplórios
Que se afogam na mesmice
É tudo uma cadeia...
Somos nossos cárceres
Hipnotizados, pois, pelo hilomorfismo...
Bem que lutei contra esse imobilismo
Mas como suprimi-lo
Se não consegui adstringi-lo?
São tantas coisas... Agora essa fenomenologia
Sim, é isso mesmo, minha mente toda orgia


O que me restou disso tudo...
Foi agora estar escutando “love by grace”
Enaltecer minh'alma
Ver meu corpo deformado pela ausência de mim mesmo
E suplicar a Jean Paul...

__"Eu preciso encontrar a verdade que é verdadeira
para mim, a idéia pela qual eu vivo ou morro”

Marcello ShytaraLira
Sampa 23/03/2001
Quando descobrimos que para nada viemos...

a saudade é apenas um ácido... viajante.


Sou de uma época inexistente

Que só existe em meu sonho

Quimera insana que se alimenta de solidão

Faz-me homem sem desejos, sem ambição

Meus sentimentos são produto

Daquilo que minhas lentes fotografam...

Vejo um mundo disforme...

Obra do esforço da minha covardia...(tua covardia)

__És homem não és?

 

 

Marcello

 Ontem eu vi como são os homens
São:
Crianças...
Amigos...
Nervosos...
Brigões, quando precisam fazer predominar seu pênis... (figurado)
Beberrões...
Bebezões...
(Não admitem, Mas são) "Cornos..."
Cavalos...
(Em algumas vezes)... Intelectuais....
Filósofos...
Filósofos da podridão... ( quando querem fazer predominar seu "pênis") (figurado)
Machões ( quando carregam uma insígnia ou uma 380 mm Legal/Ilegal ou legal, apenas para ele, ou quando coçam o pênis)
Chorões...
Legais
Amantes (da vida)
"Gente boa"
De boa
Idiotas (quando alguém está olhando e querem impor seu pênis (figurado))
e então morrem como cachorros no farol...

Ontem eu vi como são os homens...
Tive certeza que meu único amigo é o red label...
fui... (bêbado, é claro!)


Marcello
26/02/05


 

Minha poesia é um lixo
Prolixo que sou, faço poesia lixo
Profícuo que sou, no "cuo" faço versos
Não é status quo! quiaquiaquiaquiaquia
É no que você pensou, mesmo...

Ontem me alimentei de mim mesmo..
Vomitei...
Ah! o estomago não aceitou...
No âmago do status quo...
Eu gritei:
__ Meu deus de tanto pequeno que sou, para não me odiar amo você!


Sei... a mulher que tanto amei...
Com outro se deitou...
Talvez tenha ela pensado que me afetaria...
Pobre mulher... Marcello não existe...
Este foi o erro dela...

Mas sempre amei...
Do meu jeito... amei...
Digo:
__Meu amor é ainda melhor, pois, é amor baiano.

Na cidadezinha de Itabuna a beira rio
Uma mulher pariu... e deu o nome de Marcello
Eu... cresci e pensei ser poeta...
quiaquiaquiaquiaquiaquiaquia
Ser poeta... Eu?
Apenas sofro... c om meus reds

Viva os escoceses...
Graças a mim mesmo, não é ianque... não beberia jamais...
ufa!

Assim começa sua dominação

 

Querer ser “deus” o homem buscou

Ultrapassando seus próprios limites

Entregou-se “pro” estigma da maldade

Destruiu sua bondade, cultivou a zanga

Até acasalar-se com Mefistófeles

 

Deste então hum vazio o invadiu, sentiu

O Anjo interior derrotado o deixou

 

Homologando o cânone da cruz

Ordenou  aos quatro cantos do mundo

Morticínios. E também de su’alma...

E deu-se inicio da queda do homem...

Metamorfoseou-se em hum “deus” mal

 

O homem com lama se fez. Nasceu

 

Copulou com o vírus do poder 

O que proliferou em suas entranhas

Recôndita tu’alma recrudesceu

Vã tentativa de vencer sua  sanha

O  mal o racional em... passou a ser...

 

 

 

FUNÉREA ERA IMORTAL


Tece trevas em espaços perdidos
Nos céus estrelas fantasmas...
A iluminarem falsas esperanças
No meu angustiado coração
O tempo inexorável, me fez evoluir
Tornei-me um necrófilo...
Culpa dos fantasmas celestes
Pois, refletem alegres
Os rostos de meus amores...
Fossilizados, todos tantos  
Ressequidos...
Desprovidos de hemoglobinas...
Ah! minhas omoplatas saem para fora
Metamorfoseando-se em penas
Abrem-se asas, levando-me
Ao ápice de minha agonia
Estou próximo das estrelas fantasmas...
Dos lábios de caninos expostos
De minhas lindas mulheres...
Meu pescoço sente falta...
Hematófagas de minh'alma...
Ah! quantos prazeres eu sentia
Ao ter delas seus corpos nus
Meus receptáculos...
Hoje neste Cosmos solitário:
Vivo esta macabra imortalidade...
Padeço na dor da saudade...
Sofro por ter sido o "van helsing"
Das mulheres qu’Eu tanto amei...


Marcello ShytaraLira
Sampa 08/06/2004

 

 

 

 

 

 

 

 PARTES DE MIM


Sou do todo parte
Mas (o todo) de mim não parti
Como sobreviver a isso
Se a parte que parti
O grande músculo parti

Sem amor... Achas-me
Se daquela parte furtei-me

Portas do céu de todas as partes
Precipícios da vaidade

Todas abertas... Lealdade
Indícios para o inferno

Lá todas as ancas partes
Nuas à minha vontade

Arrá... Com o inferno
Quero ver minha parte rimar
Mas que vai inflar... isso vai

___condenar-me-vais...

Buscai-me então na parte que
Não me fiz claustro
Foi o que se ia (delicias da úmida parte)
No que não se podia
Amanhã parti no ontem

__E hoje outra parte parti

São Paulo 17/09/97


NO MEIO DO CAMINHO HAVIA UM PSEUDO-POETA.

Eu quero ser perfeito...
ser... perfeito eu quero
Eu quero... perfeito ser
...eu quero ser perfeito

No meio do caminho havia um ser imperfeito
No meio do caminho havia um Marcello ShytaraLira...
Que mal tocava lira e pensava ser a lyra...
Mas, que ama Florbela e Francisca...
Ama Rê... Maísa...
Claúdia (RAHNA)
Ah! A sacana da poesia...
Um dia versejou:
No meio do caminho havia um Marcello ShytaraLira...


Marcello

"CRUCIARE"

Caminho por essa terra plúmpea
A água torrencial alveja-me impiedosamente...
E tudo que vejo se dissipa...
Na próxima esquina... corro, pensando: Dará tempo!
Nada ali... nem lá...
Sei, não era para mim...
Continuo... viro a esquina...
Outra perpendicular...
Tantas mulheres e um só rosto...
Estou cego de frente...
Meu coração insiste em manter seu gosto...
Minha face... meu pranto eviterno...
Ah! como é que me deixei dominar assim...
Te procuro... não acho...
Penso: Nasci para caminhar... nada mais...
"Cruciare"

Quando um homem não é amado por uma mulher.

Quando um homem não é amado por uma mulher.



Quando um homem não é amado por uma mulher
Sente-se arrasado, castigado, por ela usado
Subtrai seu raio de visão, mundo de um só habitante
Da rejeição caminha na dor enclausurado...
Na mente fantasia chance, pensamentos conflitantes
Quando um homem não é amado por uma mulher

Quando um homem não é amado por uma mulher
Sente-se menos homem que outro homem
Vê todos os homens por ela amados
Delírios de uma mente sacrificada pela fome
Da carência carente do choro derramado
Quando um homem não é amado por uma mulher

Quando um homem não é amado por uma mulher
Se auto flagela, se inferioriza, se desespera
Faz promessas aos céus, os deuses xinga
Não se permite à própria imagem que impera
Ela reflexo de seus olhos, sangue que pinga
Quando um homem não é amado por uma mulher

Quando um homem não é amado por uma mulher
Torna-se um suicida, um alcoólatra, um nada...
Vida em terror passa a viver. Seqüela da perda
Já não busca a si mesmo, vontade subjugada
Furtada a esperança de um bom mundo, herda...
Quando um homem não é amado por uma mulher.

Marcello shytaraLira
...Ainda na estrada... busca...





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